A História dos Primeiros Desbravadores dos Céus
O paramotor é atualmente uma das modalidades de aviação esportiva que mais cresce no Brasil. Presente em praticamente todos os estados, o esporte reúne pilotos apaixonados pela liberdade do voo, pela aventura e pelo contato direto com a natureza. No entanto, o cenário atual só foi possível graças ao trabalho e à dedicação dos pioneiros que acreditaram no potencial dessa modalidade quando ela ainda era praticamente desconhecida no país.
Os primeiros praticantes enfrentaram desafios que vão muito além daqueles encontrados pelos pilotos modernos. Na época, havia pouca informação disponível, escassez de equipamentos especializados, ausência de escolas estruturadas e quase nenhuma referência nacional sobre técnicas de voo motorizado. Mesmo diante dessas dificuldades, esses desbravadores contribuíram para construir as bases que permitiram o desenvolvimento do paramotor brasileiro.
Conhecer a trajetória dos pioneiros é também compreender a evolução da aviação esportiva nacional e reconhecer a importância daqueles que ajudaram a transformar uma atividade experimental em uma modalidade consolidada e respeitada.
Aconselho vocês a visitarem a pagina SOBRE O AUTOR que mostra o 1 ENCONTRO DE PARAMOTOR DO BRASIL.
O Surgimento do Paramotor no Mundo


Acima o instrutor Jefferson voando a mais de 25 anos no dia da Independência em Angra dos Reis – RJ utilizando um motor Zenhoah da fábrica francesa La Mouette 250 cc com vela APCO tipo C na época.
Antes de entender como o paramotor chegou ao Brasil, é importante compreender suas origens.
O desenvolvimento do paramotor ocorreu a partir da evolução do parapente. Durante os anos 1980, diversos pilotos e inventores passaram a experimentar a instalação de pequenos motores nas costas, permitindo que as velas de parapente decolassem sem depender exclusivamente de montanhas ou correntes térmicas.
Essa inovação revolucionou o voo livre.
Pela primeira vez, era possível decolar em terrenos planos e voar com autonomia muito maior.
A ideia rapidamente despertou interesse em diversos países e logo chegou à América do Sul.
Os Primeiros Contatos com o Paramotor no Brasil
Antes de abordar este tema, gostaria de aconselhar tambem a leitura do tema A HISTORIA DO PARAMOTOR NO BRASIL

aqui no nosso site que vai complementar muito esta matéria.
O Brasil já possuía uma forte tradição em modalidades como asa-delta e parapente quando o paramotor começou a aparecer.
Muitos dos primeiros pilotos de paramotor vieram justamente dessas modalidades.
Por já possuírem experiência em voo livre, esses pioneiros estavam mais preparados para compreender o funcionamento dos novos equipamentos e explorar suas possibilidades.
Nos primeiros anos, a maior parte das informações vinha de revistas especializadas, vídeos internacionais, viagens ao exterior e contatos com pilotos estrangeiros.
Não existiam cursos estruturados nem fabricantes nacionais voltados para a modalidade.
A Fase Experimental
Os primeiros anos do paramotor brasileiro foram marcados pela experimentação.
Diversos pilotos adaptavam equipamentos disponíveis na época, buscando soluções para:
- Estruturas;
- Motores;
- Hélices;
- Sistemas de fixação;
- Métodos de decolagem.
Muitas dessas adaptações exigiam criatividade e conhecimento técnico.
Era comum que os próprios pilotos desenvolvessem melhorias e realizassem modificações para aumentar a confiabilidade dos equipamentos.
Esse período foi fundamental para a evolução da modalidade no país.
A Influência dos Pilotos de Asa-Delta e Parapente
Grande parte dos pioneiros brasileiros possuía histórico na asa-delta ou no parapente.
Esses praticantes já compreendiam conceitos fundamentais como:
- Meteorologia;
- Aerodinâmica;
- Planejamento de voo;
- Segurança operacional.
Essa experiência facilitou a transição para o voo motorizado.
Além disso, muitos dos primeiros instrutores de paramotor tiveram origem nessas modalidades, contribuindo para a formação das futuras gerações de pilotos.
QUEM FORAM ESTES DESBRAVADORES
Para este artigo, eu tive o apoio do amigo e instrutor Lula Laghi, um dos desbravadores do voo no Brasil e que se destacou também como um dos primeiros pilotos de pramator do Brasil.
Abaixo Lula Laghi com Jefferson no CAMPEONATO MUNDIAL DE PARAMOTOR realizado no Brasil

Paramotor. Primeiros pilotos Brasileiros
O primeiro que se tem notícia de decolar com um motor nas costas no Brasil, foi o voador de asa delta e paraquedista profissional Tonini, decolou do pouso em Atibaia no começo de 1989, com um motor solo que ele trouxe da Europa, ainda em experimento por lá.
No começo dos anos 90 começaram a aparecer aqui no Brasil alguns motores trazidos por pilotos de parapente, em São Paulo apareceram com a Equipe Pluma, onde quatro pilotos de parapente que viram um mercado de marketing promissor e na mesma época o piloto do Rio Rui Marra surgia com a marca de um famoso refrigerante ( não posso usar o nome por causa de direitos autorais, mas todos conhecem ), ambos precisavam de pilotos que voavam de paramotor, o que não tínhamos no momento e o jeito foi treinar alguns pilotos de parapente e assim foi feito, mas neste interim o Serginho China voltava do Japão com um paramotor de três cilindros e um tanque de fibra.
Em São Paulo: tivemos pela equipe Pluma (O piloto que montou a equipe Pulma e da área do Marketing, não lembro o nome se lguem soouber nos envie para inserir aqui) o Paul, Arturzinho, Alemão e pela Coca Cola André Laghi, Lula Laghi, Bacana (Edson Festa), Junay (Lourenço Andreaza), Serginho China, Kiko e o Mingo e no Rio: Rui Marra, Leandro, Vinicius e o Albrecht filho, e logo após veio o Chagas da pro-delta e depois o Menin que viu uma oportunidade para ser usado em marketing.
Foto abaixo Jefferson com o Chagas da PRODELTA com as melhores estruturas em atividade até hoje.

No Rio tínhamos também o Bruno Menescal que começava a voar na mesma época do Rui. No comecinho da década de 90 o Gerard Tevenoh da Lamouette esteve no Rio trazendo dez paramotores, eu fiquei com quatro e o Rui seis, todos usados na equipe do refrigerante.
Bruno Menescal, Yuri filho do maj Albrecht, o primeiro que viram decooar com um motor nas costas o Tonini com um paraquedas estilo militar talvez em 1979 e decolou em Atibaia.
O Serginho China também que estava no japão mandou uma foto de um jodo beisebol, mini tryke, paramotor uma imagem muito legal, e quis trazer pro Brasil, Em São Paulo MINGO JUNTO COM Lula, e ensinou o Kiko, que comprou do Ruy Marra que junto com o Lula ensinaram para alguns pilotos, e o Andre que voava com a marca da Coca Cola que voava com um motor Agrale construído por ele mesmo.
Artuzinho, Paul e Alemao e mais um, eram uma equipe que voava pela puma e a equipe do Ruy voando pela Coca Cola, no rio tinha o mesmo problema falta de pilotos, voavam o Ruy Marra e o Bruno Menescal, ensinaram o Vinicius o Leandro e o Yuri, mas o pai do yuri o Maj, Albrecht da ABUL já tinha voado paramotor antes e colocou o filho para seguir os rumos, o Maj Albrecht que abraçou o esporte paramotor dentro da ABUL.


Me lembro minha primeira habilitação de paramotor ( foto acima ) que no inicio se chamava CPD – certificado de piloto desportivo, que tirei na ABUL uma carteira almejada por todos na época.
O China quando voltou do motor trouxe um paramotor que custou 9 mil dólares, 3 cilindros uma inovação na Europa, mas que não foi muito em frente, creditamos que que tenha sido um PARAJET, naquela época tinha somente os motores SOLO ( La Mouette ) e Zenhoah de bomba dágua. Depois disto foi que os italianos entraram no mercado.
Os Primeiros Equipamentos Utilizados
Os equipamentos disponíveis nas décadas iniciais eram bastante diferentes dos atuais.
Os primeiros motores apresentavam características como:
- Maior peso;
- Menor potência;
- Consumo elevado;
- Menor confiabilidade.
As velas também eram menos eficientes quando comparadas aos parapentes modernos.
Mesmo assim, esses equipamentos permitiram que os primeiros voos motorizados fossem realizados com sucesso.
O Desenvolvimento das Primeiras Escolas
À medida que a modalidade começou a crescer, surgiram os primeiros centros de treinamento.
Essas escolas tinham papel fundamental em:
- Ensinar técnicas de pilotagem;
- Promover práticas seguras;
- Compartilhar conhecimento;
- Formar novos pilotos.
O surgimento da instrução organizada representou um marco importante para o desenvolvimento do paramotor brasileiro.
O Papel dos Eventos e Encontros
Os encontros de pilotos contribuíram significativamente para a expansão da modalidade.
Esses eventos permitiam:
- Troca de experiências;
- Demonstração de equipamentos;
- Integração entre praticantes;
- Divulgação do esporte.
Muitos pilotos tiveram seu primeiro contato com o paramotor justamente durante encontros aeronáuticos realizados em diferentes regiões do país.
A Expansão Regional
Inicialmente concentrado em poucos estados, o paramotor começou a se espalhar pelo território nacional.
Regiões que apresentavam características favoráveis ao voo passaram a atrair praticantes.
Entre os fatores que contribuíram para esse crescimento destacam-se:
- Grandes áreas abertas;
- Clima favorável;
- Interesse crescente pela aviação esportiva.
Gradualmente, o esporte alcançou todas as regiões do Brasil.
A Evolução da Segurança
Os pioneiros enfrentaram um cenário muito diferente do atual.
Hoje os pilotos contam com:
- Equipamentos certificados;
- Sistemas de segurança modernos;
- Instrumentação avançada;
- Treinamentos especializados.
Nas fases iniciais, muitos desses recursos simplesmente não existiam.
Por isso, a experiência acumulada pelos primeiros praticantes foi essencial para o desenvolvimento de procedimentos mais seguros.
O Surgimento dos Primeiros Campeonatos
À medida que o número de pilotos aumentava, começaram a surgir competições e eventos esportivos.
Essas atividades ajudaram a:
- Desenvolver habilidades técnicas;
- Promover intercâmbio entre pilotos;
- Incentivar a evolução dos equipamentos.
Os campeonatos também contribuíram para aumentar a visibilidade do paramotor perante o público.
O Crescimento da Comunidade Brasileira
Um dos legados mais importantes dos pioneiros foi a construção de uma comunidade unida.
A cultura de compartilhamento de informações sempre foi uma característica marcante do paramotor nacional.
Essa colaboração permitiu que novos pilotos encontrassem apoio e orientação para iniciar sua trajetória no esporte.
O Desenvolvimento Tecnológico Nacional
Com o passar dos anos, o Brasil também passou a participar do desenvolvimento tecnológico da modalidade.
Pilotos e técnicos contribuíram para:
- Melhorias em motores;
- Adaptação de equipamentos;
- Desenvolvimento de acessórios;
- Aperfeiçoamento de técnicas operacionais.
Esse conhecimento ajudou a fortalecer a aviação esportiva nacional.
A Importância dos Instrutores Pioneiros
Os primeiros instrutores desempenharam papel decisivo na consolidação do paramotor.
Além de ensinar técnicas de voo, eles foram responsáveis por:
- Estabelecer padrões de treinamento;
- Promover cultura de segurança;
- Formar centenas de novos pilotos.
Muitos dos profissionais que atuam atualmente receberam instrução direta ou indireta desses pioneiros.
Os Desafios Enfrentados
Os pioneiros do paramotor precisaram superar diversas dificuldades.
Entre elas:
Falta de Equipamentos
Muitos produtos precisavam ser importados ou adaptados.
Escassez de Informações
O acesso ao conhecimento era limitado.
Ausência de Referências
Existiam poucos materiais educativos disponíveis.
Barreiras Logísticas
A comunicação entre pilotos era muito mais difícil do que atualmente.
Apesar disso, a determinação desses praticantes permitiu que o esporte continuasse evoluindo.
O Paramotor Brasileiro Hoje
Atualmente, o Brasil possui uma das comunidades de paramotor mais ativas da América Latina.
O país conta com:
- Escolas especializadas;
- Instrutores experientes;
- Eventos regulares;
- Equipamentos modernos;
- Pilotos reconhecidos internacionalmente.
Grande parte desse cenário foi construída graças ao trabalho dos pioneiros.
O Legado Deixado Pelos Primeiros Pilotos
Os primeiros praticantes deixaram contribuições que continuam presentes até hoje.
Entre elas:
- Cultura de segurança;
- Espírito de colaboração;
- Desenvolvimento técnico;
- Formação de novos pilotos;
- Expansão da modalidade.
Seu legado vai muito além dos voos realizados.
A Importância de Preservar a História
Conhecer a história do paramotor brasileiro é uma forma de valorizar aqueles que ajudaram a construir o esporte.
As novas gerações podem aprender importantes lições sobre:
- Persistência;
- Inovação;
- Responsabilidade;
- Evolução contínua.
Preservar essa memória fortalece a identidade da comunidade aeronáutica.
O Futuro da Modalidade
O paramotor continua evoluindo.
Novas tecnologias, equipamentos mais eficientes e métodos modernos de treinamento ampliam constantemente as possibilidades da modalidade.
No entanto, os fundamentos construídos pelos pioneiros permanecem atuais.
A busca por conhecimento, a valorização da segurança e o espírito de aventura continuam sendo elementos centrais do esporte.
Considerações Finais
A história dos pioneiros do paramotor no Brasil é uma narrativa de coragem, criatividade e paixão pela aviação. Em uma época marcada por recursos limitados e poucas referências, esses desbravadores dedicaram tempo, esforço e conhecimento para desenvolver uma modalidade que hoje encanta milhares de pessoas.
Graças ao trabalho desses primeiros pilotos, instrutores e entusiastas, o paramotor brasileiro alcançou um nível de maturidade que permite oferecer formação de qualidade, equipamentos modernos e uma comunidade forte e organizada. Cada decolagem realizada atualmente carrega um pouco da contribuição daqueles que acreditaram no potencial do esporte desde seus primeiros passos.
Mais do que pioneiros da aviação esportiva, eles se tornaram parte fundamental da história do voo livre no Brasil, inspirando novas gerações a continuar explorando os céus com responsabilidade, conhecimento e paixão pelo voo.
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